Em almoço com presidentes de Poderes, Bolsonaro prega união

BRASÍLIA — O presidente
Jair Bolsonaro
pregou a união entre os três Poderes em um churrasco promovido neste sábado pelo presidente da Câmara,
Rodrigo Maia,
em sua residência oficial, que também contou com a presença dos presidentes do Senado,
Davi Alcolumbre,
e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro
Dias Toffoli.
Comparecem ainda 15 dos 22 ministros do governo federal, além de outros políticos.

De acordo com o ministro da Secretaria de Governo, Santos Cruz, Bolsonaro discursou pedindo a união entre os Poderes, para possibilitar o desenvolvimento do país:

— Ele disse (sobre) a importância da união de todos os Poderes, de todas as autoridades, para fazer o Brasil continuar seu caminho de desenvolvimento.

Após o almoço, Rodrigo Maia afirmou que a intenção é melhorar o diálogo para “pactuar uma relação de governabilidade”:

— As relações sempre foram boas. O que nós estamos construindo é forma de que os Poderes possam dialogar melhor, pactuar uma relação de governabilidade para o Brasil. Porque, no sistema democrático, todos governam juntos.

Santos Cruz elogiou a iniciativa de Maia e disse que ela contribuiu para a “confiança mútua” entre autoridades:

— Na nossa cultura, essas ocasiões aproximam as pessoas e facilitam tudo. É esse o objetivo, não tem uma agenda de trabalho. Tem uma agenda de bom senso, aonde o deputado tomou essa iniciativa e ele está de parabéns por convidar para a residência dele, em um sábado, todo nós. Isso traz um ambiente muito bom, de confiança mútua entre os Poderes.

Bolsonaro e Onyx Lorenzoni participam de almoço na casa do presidente da Câmara, Rodrigo Maia Foto: ADRIANO MACHADO / REUTERS
Bolsonaro e Onyx Lorenzoni participam de almoço na casa do presidente da Câmara, Rodrigo Maia Foto: ADRIANO MACHADO / REUTERS

O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, afirmou que o diálogo é uma “obrigação”:

— É importante que os Poderes possam conversar, dialogar. Há um imenso desafio para ser vencido, que é recuperar o Brasil da situação que o país tem. Os Poderes dialogarem é uma obrigação, no entendimento do presidente Jair Bolsonaro, do presidente Rodrigo, do presidente Davi, do presidente Toffoli.

Onyx defendeu ainda a união dos “melhores talentos” do país:

— A presença de um grande número de ministros fez a reafirmação de que o governo de Jair Bolsonaro é um governo que busca o diálogo, busca o entendimento. O Brasil precisa unir os seus melhores talentos na busca do reequilíbrio fiscal, na busca do país voltar a crescer, e de poder trazer melhor qualidade de vida para as pessoas. Isso não vai ser feito com conflitos, só vai ser feito através da capacidade do diálogo.

Além de Santos Cruz e Onx, também estiveram presentes os ministros: Sergio Moro (Justiça), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucionl), Ricardo Vélez Rodríguez (Educação), Gustavo Canuto (Desenvolvimento Regional), Fernando Azevedo e Silva (Defesa), Tereza Cristina (Agricultura), Osmar Terra (Cidadania), Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos), Ricardo Salles (Meio Ambiente), Tarcísio Freitas (Infraestrutura), Wagner Rosário (Controladoria-Geral da União) e Floriano Peixoto (Secretaria-Geral), além do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

Outros que apareceram foram os senadores Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente, e Marcos do Val (PPS-ES), e o deputado Fernando Coelho Filho (DEM-PE).

Neste sábado pela manhã, Bolsonaro compartilhou um vídeo em que seu filho, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), critica 
a decisão do Superior Tribunal Federal (STF) de manter crimes ligados a caixa 2, investigados pela Lava-Jato,  na Justiça eleitoral
.

Questionado sobre o episódio, Maia foi evasivo:

— Toda crítica precisa ser respeitada num país que quer ser de democrático, garantindo a liberdade de expressão e de imprensa, mas a crítica não pode passar para uma agressão — disse.

O presidente da Câmara também condenou os ataques ao STF, que motivaram Toffoli a abrir um inquérito:

— É um episódio grave e importante. Nós podemos discordar da decisão da maioria do Supremo, mas não podemos agredir — disse Maia.