Último no Marrocos, falhas no carro dificultam a vida de Massa na Fórmula E

O e-Prix do Marrocos, segunda etapa do campeonato da Fórmula E, foi negativo para os brasileiros. Em um circuito que, na avaliação das equipes, revelaria a relação de forças entre os carros, Lucas Di Grassi, com a Audi, time mais forte do ano passado, não passou de sétimo, enquanto Nelsinho Piquet foi o 14° e Felipe Massa amargou o último lugar.

Massa sofreu uma série de problemas desde os treinos livres, realizados na manhã de sábado, poucas horas antes da corrida. Problemas no sistema de recuperação faziam o carro do piloto brasileiro gastar mais energia que os demais, afetando seu ritmo. Massa chegou a ganhar posições na largada, mas logo foi ficando para trás. 

“Foram muitos problemas. Durante a corrida, tive um problema com o sistema do regeneração de energia, que eu não conseguia usar da maneira correta, então meu carro estava gastando muito mais energia por um problema no sistema, não por culpa minha. E meu motor também não andava. Havia algo que fazia eu perder muita potência e por isso não sei quantos carros me passaram no começo da corrida”, explicou ao UOL Esporte

Massa lembrou que não apenas os dois carros de seu time, a Venturi, quanto da HWA, que tem praticamente o mesmo monoposto, não foram bem. “Tem muita coisa tirando performance do carro e temos uma ideia do que seja, então deve ser possível arrumar já para a próxima etapa. Mas hoje (sábado) foi uma corrida terrível para toda a equipe.” 

Di Grassi e Piquet cobram mais agressividade
Na confusão da largada causada por Vergne, que atacou o pole Sam Bird na primeira curva e rodou, Di Grassi acabou se tocando com vários carros, danificando a carenagem de seu Audi. Com isso, teve dificuldades nas lutas por posição, mas acredita que a estratégia de utilização de energia não tenha sido a melhor, prejudicando seu resultado. O brasileiro foi o sétimo.

“Não fiquei feliz. Segui a estratégia recomendada pela equipe, que talvez não tenha sido a ideal. A gente poderia ter assumido um pouco mais de risco porque, em determinado momento eu até passei o D’Ambrosio, que acabou ganhando a prova. Então acho que o carro estava bem melhor no começo da corrida do que no final e ainda não entendemos o porquê.”

A prova vinha sendo dominada pelos dois pilotos da BMW, Antonio Felix da Costa e Alexander Sims, que acabaram se tocando nas voltas finais, abrindo a porta para a vitória de D’Ambrosio, que vinha em terceiro. “A BMW está muito forte e vai ser difícil segurá-los”, reconheceu Di Grassi. “Porém, ano passado a gente tinha o melhor carro e não ganhou o campeonato de pilotos. Se o Da Costa, por exemplo, tivesse vencido a prova, teria aberto uma grande vantagem. Mas ele arriscou para tentar vencer, zerou e acabou deixando o campeonato aberto. Na F-E, mesmo se você tem o melhor carro, você precisa ter o resultado em todas as corridas. Eles têm uma boa chance de vencer, porém têm que entregar.”

Já para Nelsinho Piquet, a corrida do Marrocos foi um repeteco do que aconteceu na Arábia Saudita: a Jaguar foi conservadora demais com o uso da energia, economizando para o final, mas com o Safety Car isso acabou não fazendo diferença no final. O piloto terminou fora dos pontos, em 14º.

“Acho que a gente foi um pouco conservador demais. A gente tinha mais energia do que todo mundo o tempo inteiro. Acho que a gente deveria saber ser mais agressivo, sabendo que, se no final da corrida tem um Safety Car, acaba sobrando energia. É sempre fácil olhar para trás e dizer que deveríamos ter feito diferente, mas acho que vai ser uma tendência ter de assumir mais riscos, especialmente quando você não está entre os primeiros, até porque me parece que eles querem juntar o grid no final para ter mais emoção.” 

A próxima etapa da Fórmula E será em Santiago, no Chile, dia 26 de janeiro.